quarta-feira, 13 de março de 2013



Sou um turbilhão de idéias,
Que morre de dor por pensar diferente.

E será, que assim de repente,
O acaso me trás alguém, que também pensa.
Que cria, que ama, que chora e me ajuda,
Com esse ócio selvagem, que me desmonta,
Me mata e me deixa com nada, e pra quem não encherga:
Com tudo, com tudo!

Mas inda hei de ter alguém além do espelho.



                Folhetim Vivo - O amor doentio por mim mesmo -


Dos bêbados de minha cabeça,
Os mais selvagens são os do amor.
De boteco em boteco insinuam, INSINUAM!
E a cabeça entristece, se desespera,
Chora com dor no peito!
Por fim acontece.

Eis que dos céus descem os santos!
OS SANTOS DE MINHA CABEÇA!
Os santos da razão, que não me querem bêbado.
Logo é campo de batalha : Bêbados contra Santos !
GUERRA EM MINHA CABEÇA!
Eu me decepciono.

Dos barracos mais escuros,
Surgem os deprimidos!
OS DEPRIMIDOS DE MINHA CABEÇA!
Pintando de preto por onde tocam.
Já não tem mais pra santo, não tem pra bêbado.
Tá tudo preto! Tá tudo podre!

Dentre as soluções,
Cabe à minha cabeça apenas uma.
Entristeço, me desespero,
Choro com dor no peito.
CORTEM-ME A CABEÇA !
CORTEM-ME A CABEÇA !


                                              Folhetim vivo - de cabeça em cabaça -



Basta um momento de ócio e a oficina diabólica começa a funcionar.
Os demônios que cultivei e no fundo sempre amei, trabalham.
Mas a maldade é só um ponto de vista.
Eles me dizem que posso ver o futuro e decidir o que é realmente certo.

Em meu trono de egoísmo decido o bom e o ruim.
Julgo um por um, inclusive meus bons amigos.
O meu conselheiro diz que eles querem me derrubar.
E então já não posso viver fora dos meus holofotes.

                                               Folhetim Vivo, entre princípios e pressões sociais.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013



A fome dentro de mim e o pão na minha frente.
E de repente, nada mais importa.
Não sacia. Nada sacia!
Espremo um pouco de melodia,
Mas não agrada.
Trás angustia e desmerece.

Faltam unhas para roer e massacrar,
E essa vira minha arte.
Medíocre,  vejo um porco no espelho.
Cuspo e acho graça, pois é o que faço.

                                 Folhetim vivo - Na ponta dos pés


Escoro-me no canto,
Peço por não terem me visto,
Mas não é verdade minha.
Se tu, inocente pudesse ver...
Ver e sentir o mar de amargura que tanto aprecio.
Esses olhos de piedade não seriam para mim.

Aqui feito serpente, me concentro no tempo.
E demora! A vítima se  atrasa.
Porém, não me chateia.
Cada instante será mil palavras,
E um ato de minerva.


                                     Folhetim Vivo, retrato de um velho problema.



Zombar do caminho retilíneo,
Trás-me a boca a doçura.
O mel, na infancia, que amenizava o amargo xarope.
Amargo eu e meu-redor.
Recusarei o xarope,
Contestarei o incontestável.

Há de vir o prazer...
Prazer por impor-se contra o ordinário.
Cego como uma criança,
Deixa-me zombar.
O níquel e a ordem.
Pois, na desordem germina nossa liberdade.


                                                Folhetim vivo